sexta-feira, 6 de junho de 2014

Olhos Clínicos

Quero expor algo bem curioso e triste do cotidiano:
Falarei sobre os "olhos clínicos". 

Os "olhos clínicos" são  estudados,  preparados em universidades, que dissecam o corpo. 
Mas não necessariamente desvendam a emoção, a alma de um indivíduo. 
São olhos trabalhados no CID 10 (Código Internacional de Doença). 
Puxa! 
Como poderia me esquecer?!
Esses mesmos olhos também são carregados de DSM (Manual Estatístico de Transtornos Mentais). 

Em um contato com os "olhos clínicos",  há uma expectativa de maneira aflita que eles sejam sensíveis, mas fique alerta: esses olhos já viram muitos corpos dissecados! 
Portanto, eles podem friamente se centrar em ver as suas reações e marcas, qual é o sintoma, buscar identificar qual a doença ou transtorno mental que o indivíduo apresenta e prescrever medicações, em sua maioria tarja preta. 

É marcada nova consulta. 

Fecha a porta do consultório e despede-se o indivíduo na: 

Expectativa. 

Ansiedade também. 

Agonia. 

Certo dia, em uma troca de mensagens entre "olhos clínicos" e "indivíduo": 

Exposição de sentimentos e atitudes impulsivas. 

- "Calma! Espere a medicação fazer efeito! "

 - Ok. 

Os dias passam.

Os sintomas continuam.

A mente continua confusa.

Preciso de fé. 

Ps.  Que fique claro que NÃO SOU CONTRA psiquiatria e o uso de medicação, quando necessário.  O que sou contra é a falta de sensibilidade, quando um indivíduo adoecido busca ajuda.  Que ninguém considere fácil uma pessoa reconhecer que precisa ajuda da Saúde Mental, ter que quebrar os "pré  conceitos" , que existem em nossa sociedade que persiste em dizer que psicólogo e psiquiatra é coisa para "maluco", é "para quem rasga dinheiro". 


domingo, 1 de junho de 2014

Olhos Insensíveis


"Eu quis o perigo e até sangrei sozinho, entenda..."

Legião Urbana


Quando o impulso de se machucar fala mais alto por alguns instantes, entenda, nem sempre é por prazer. 
Não! 
Não é masoquismo. 
É simplesmente sofrimento mudo. 
É dor física pra superar a dor emocional, a da alma. 
É uma tentativa perturbadora de desviar angústias.
Mas olhos insensíveis reduzem esse turbilhão como falta do que fazer, de sexo, de companheiro, de trabalho, de religião, e o mais cruel:  de FRESCURA!

Visão DESUMANA!

É mais fácil as pessoas aceitarem ou entenderem uma dor de cabeça, uma pressão alta, uma dor na coluna, uma fratura exposta, um infarto que uma depressão, que uma crise de ansiedade ou de pânico, por exemplo.
Para os outros é assim:
Depressão é frescura. 
Suicídio é covardia.
Tudo é julgamento. 

Insensíveis que só aceitam o que podem ver, 
que só acreditam no que é possível tanger. 
Precisam tocar em chagas. 
Como se as lágrimas, o silêncio, o olhar triste, 
a raiva, o descontrole, a agressividade repentina, 
a tristeza, a compulsão por comer, a falta de vontade de comer, 
desejo voraz de beber, 
os copos que se quebram e o grito  expressado em hora inesperada nada disso fosse real. 

Então, o que será real? 
O que será chaga? 
Será mesmo frescura tudo isso? 
Só se tornará chaga quando a dor "invisível a esses olhos" se tornar insuportável e se transformar em uma frase: "aqui jaz" numa lápide?

De qualquer maneira, 
as respostas chegam quando você passa pela experiência "invisível" aos olhos insensíveis. 


E eu volto ao esgotamento, mente confusa
A lágrima não vem...
Obrigada a você que leu.